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Palavra de ordem - BRINCAR


Cada criança é um caso e o ritmo de desenvolvimento não é igual para todas. Os pais podem e devem, mesmo assim, ajudá-las a promover o seu crescimento nas várias áreas. Muitas vezes, basta bons momentos de brincadeira em conjunto.

Nos primeiros anos de vida, o bebe passa por um processo de desenvolvimento que decorre a uma velocidade vertiginosa! Este caminho pode manifestar algumas alterações, pelo que pais e cuidadores devem estar atentos, procurando informação para compreender o que está dentro dos parâmetros da “normalidade” e, eventualmente, perceberem se há razões para suspeitarem de algum atraso no desenvolvimento. No entanto, esta detecção precoce é complexa e, por vezes, difícil pois as características das crianças dos zero aos seis anos de idade são variáveis e o desenvolvimento é influenciado por múltiplos fatores. Não raras vezes, identificar o atraso de desenvolvimento apenas é possível quando se torna muito evidente algum tipo de limitação ou comprometimento em várias áreas, o que só acontece normalmente entre os dois e os quatro anos.

Estar atento e sinalizar

Para esta identificação, pais, educadores e pediatras devem sinalizar a criança para avaliação pelas equipas de intervenção precoce da região. O Sistema Nacional de Intervenção Precoce (Decreto-Lei n.º281/2009) pretende tornar mais célere o percurso, desde a suspeita inicial à identificação do atraso e consequente intervenção. Não obstante estas medidas, pais e cuidadores devem traçar um conjunto de estratégias que visem explorar as capacidades e potencialidades das crianças, sobretudo nas áreas deficitárias. Para isso, devem utilizar-se todos os recursos disponíveis nos contextos de vida da criança, para que aumentem as oportunidades de aprendizagem e estas sejam eficazmente rentabilizadas na estimulação do desenvolvimento dos seus filhos. Mas ao delinearmos algumas estratégias é preciso ter em atenção que o desenvolvimento infantil resulta da interação de quatro áreas fundamentais: linguagem, cognição, motora e social.

Brincar muito

A brincadeira está cheia de oportunidades para a criança aprender e desenvolver novas habilidades. Ao brincar, a criança utiliza todos os sentidos (audição, visão, paladar, tato, olfato) e, consequentemente, explora todas as áreas do seu desenvolvimento, promovendo a aquisição de novas competências. Esta é, por excelência, uma estratégia que deve ser adotada pelos pais, de modo assíduo. Todos esses momentos estão recheados de oportunidades de aprendizagem. Deixamos algumas sugestões, para desenvolver cada uma das áreas do desenvolvimento.

Desenvolvimento da linguagem

Converse com a criança desde que nasce. O diálogo construtivo e uma linguagem correta e coerente revelam-se fundamentais na aquisição da linguagem expressiva.
Conte histórias, leia e dramatize. E repita várias vezes a mesma história com o intuito de questionar o enredo e conversar sobre as personagens. Isto obriga a criança a trabalhar a atenção e a memória e a treinar o seu vocabulário, o que implica uma linguagem compreensiva.

Cante. Canções de embalar, canções de movimento, etc. Todos os momentos do dia são propícios à audição e entoação de canções. A criança vai alargar o seu vocabulário e atribuir significado ao que ouve. Terá tendência para começar a repetir as canções e, mesmo que apresente limitações ao nível da linguagem verbal, vai utilizar outras formas de comunicação para se fazer perceber. Os pais devem insistir nesse trabalho e comunicar com as crianças de modo a que elas sintam que estão a ser compreendidas.

Jogue. Há imensa variedade de jogos didáticos que incentivam a aquisição da linguagem. Os pais podem optar por construir, em casa, alguns deles. Dominós, jogos de desenhos e palavras, ou até utilizarem as divisões da casa e a decoração como parte da brincadeira, pedindo às crianças que relatem o que estão a ver, o que estão a fazer, o que podem mudar de sítio. Faça jogos de resposta direta (sim ou não) e/ou de resposta dirigida, por exemplo: “Queres laranja ou maçã?”. Ao serem questionadas, as crianças promovem a capacidade de pensamento crítico e de tomada de decisões, exercitando ainda o vocabulário que já conhecem. A imaginação não tem limites.

Desenvolvimento cognitivo

Construa brinquedos com as crianças. Atividades sensoriais, utilizando materiais com diferentes texturas, cores, formas e quantidades implicam conceitos de discriminação, percepção, pensamento, memória, atenção. As crianças aprendem ainda a relação causa/efeito e a resolver problemas.

Planifiquem juntos jogos imaginativos. Deixe que as crianças inventem uma brincadeira para se expressarem em conjunto.
Ajude-as a recriar em casa cenários da vida real, com materiais de uso diário. Uma cidade imaginária e os seus serviços, por exemplo (correios, hospital, escola, bombeiros, mercearia, etc.).

Desenvolvimento motor

Se estivermos perante um atraso do desenvolvimento a este nível, devemos começar por criar, em casa, um ambiente promotor de liberdade física. O espaço deve estar o mais sóbrio possível de modo a permitir que as crianças explorem o corpo sem obstáculos de maior. Devem utilizar-se alguns brinquedos, mas não excessivamente, para que elas próprias encontrem em si, formas de descobrir novas habilidades.

Os pais e cuidadores devem reunir essas condições e dedicar tempo de interação com as crianças, programando algumas atividades diárias e/ou semanais. Ao nível da motricidade global, são várias as manobras físicas que podemos preparar para tornar divertidos os jogos caseiros:
Jogos de obstáculos. Contornar, saltar, correr (em pequena escala);

Jogos no chão. O chão é um espaço privilegiado para exprimirmos a nossa liberdade. Podemos recriar em papel (ou outro material de que disponham) o jogo da macaca, o jogo do galo, o jogo das cores, etc.. Estique um tapete de bolhas (aqueles plásticos com bolhas que protegem os eletrodomésticos nas caixas que fazem os estalinhos quando rebentam) e use para fazer jogos, o barulho das bolhas a rebentar e a diferente textura cativa e ajuda as crianças.
Jogos tradicionais. Todos aqueles que os pais e cuidadores recriavam quando eram pequenos e se mantêm como tesouros pedagógicos. O lencinho, a mamã dá licença, o bom barqueiro, entre outros. Mesmo que em casa sejam apenas três pessoas, todos estes momentos podem ser adaptados e as crianças vão adorar conhecer o passado infantil dos seus cuidadores.

Fora de casa, os pais podem levar as crianças ao parque infantil e/ou a locais onde possam brincar livremente e explorarem o corpo, participando com eles nas suas brincadeiras. O simples facto de andar de baloiço ao seu lado, vai dar às crianças a segurança de que necessitam para se aventurarem a ir mais além e, consequentemente, trabalharem as suas competências motoras e (re)descobrir outras.

Para trabalhar a motricidade fina das crianças os pais podem fazer coisas simples como brincar com plasticina, massa de modelagem, tintas (comestíveis no caso dos bebés) e reunir vários tipos de material de expressão plástica para planearem atividades de mesa em família. Rasgar papel é uma proeza adorada pelas crianças mais pequenas e mais tarde, a tesoura e os pincéis amigos favoritos. Os pais podem criar aqui múltiplas opções para estimular a motricidade fina. Legos, puzzles, jogos de encaixe e de enfiamento, os próprios brinquedos adaptados a cada idade, são inúmeras as possibilidades. Além dessas atividades programadas, a motricidade fina é perfeita para ser trabalhada nas situações do dia-a-dia das crianças e famílias. Vestir, despir, calçar, descalçar, arrumar os brinquedos, ajudar os pais nas pequenas tarefas domésticas.

Desenvolvimento social

A socialização das crianças nos primeiros três anos de vida pode passar apenas por uma ida ao parque, à biblioteca, à piscina, pelo convívio com os primos (se os houver) ou simplesmente com os filhos dos amigos dos pais. Importante é que exista algum contacto com outras crianças para que o seu mundo não seja apenas de adultos, criando uma maior ansiedade de separação e angústia de partilha quando são confrontados com outros contextos. A partir dos três anos, a socialização tem um papel mais nuclear na vida da criança. Normalmente, se a criança frequenta a creche, as competências sociais são trabalhadas no seu grupo de pares. Neste caso, os pais devem simplesmente continuar esse trabalho proporcionando momentos de convívio e brincadeira com outras crianças de forma espontânea. Praticar um desporto, por exemplo, ajuda a criar outros contactos sociais com crianças em diferentes contextos e será uma ajuda física e social importante.

Fonte: paisefilhos.pt

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