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Correr de uma outra forma


Há correr e correr. Quando vemos uma criança a correr num jardim, a imagem tem a velocidade dos seus passos apressados, mas a sensação que nos percorre é a de serenidade. Pelo contrário, quando pensamos numa criança dentro de um carro, parado no trânsito, a caminho da escola, sentimos a ansiedade de um batimento de coração acelerado, ativado por uma correria imensa de pensamentos, ainda que tudo neste cenário, se encontre estático e com um ritmo esfumado. 

Há correr e correr. O correr das nossas crianças mudou, nestes últimos tempos, e no seu dia-a-dia carregado de expetativas, atividades e procuras de um sucesso por acontecer, já não se habita o mesmo espaço para correr naquele velho sentido, em que se rebolava na terra e se esfolava os joelhos. O que sentimos enquanto adultos perante um mundo em fast forward é visto por elas como o único mundo que conhecem mas onde nem sempre lhes é permitido assentar e criar raízes para crescer. É como se a televisão, o computador, a cidade em que vivem, a escola, as atividades depois da escola, o sair cedo de casa e chegar a más horas, os pais a ir para o trabalho, os avós que vivem longe... representassem a intermitência de uma máquina avariada que é mais rápida que o pestanejar das suas pálpebras. A biologia humana tem um ritmo. Natural e compassado. Esta nova música que ressoa nas nossas vidas é mais do que eletrónica, é desarmónica.

Para que este desenraizar não se torne crónico é necessária a consciência de que há-que correr de outra forma. Há-que parar, há-que respirar. É neste contexto que vejo o Yoga como uma ferramenta possível que se tornou, para mim enquanto praticante, essencial. Como professora, fui sentindo que a vontade das crianças em se sintonizarem com o seu ritmo inato as faz procurarem, intuitivamente, meios de se focarem e de abrandarem. Com as crianças com quem tenho trabalhado mais explicitamente o Yoga, este torna-se, para elas, também, a sua ferramenta mais à mão para gerirem e se adaptarem aos diversos estímulos e solicitações. E para elas Yoga, nos primeiros tempos, significa apenas aprender a respirar e a observarem as suas emoções. E já é muito. E faz toda a diferença.

Sou professora no ensino regular desde o segundo ciclo ao secundário. Complementarmente tenho me dedicado a dar aulas de yoga para crianças e sessões individuais de yoga para crianças com necessidades educativas especiais, tendo já experiência com alunos desde os 4 aos 14 anos. Tem sido muito gratificante vê-los integrar algumas das práticas do Yoga no se dia-a-dia e a apreciarem os momentos de plena consciência mental, respiratória e corporal que o Yoga lhes permite. Espero continuar a usufruir da oportunidade de estar com crianças desta forma e em conjunto e comunhão com elas aprender cada vez como correr de uma outra forma.

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Texto escrito pela Professora Inês Manso

Blue Eyes

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