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A melhor forma de estimular os sentidos do bebé é brincando com ele

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A melhor forma de estimular os sentidos do bebé é brincando com ele. Mas não são precisos brinquedos sofisticados, basta imaginação e disponibilidade.
Há véus coloridos, tigelas com grãos de café, tigelas com água, bolas pequenas coloridas, e uma manta de cetim redonda e cheia de cores. Está tudo pronto para os três bebés – Laura, Ugo e Vicente – passarem uma manhã a brincarem com os seus pais. Mafalda Napierala, a educadora, recebe-os docemente, feliz por estar no seu “harém de bebés”, como gosta de lhes chamar. Ao som da música da borboleta, os bebés começam a “aquecer”, ajudados pelos pais, abanando os braços lentamente como se fossem asas. Laura, 12 meses, ri-se muito. É assídua destes workshops e já sabe que a partir dali vai ser só brincadeira. Ugo e Vicente também se mostram recetivos, embora menos efusivos, pelo menos, para já.

Os “Brinca Bebé” são workshops organizados pelo Centro do Bebé, em Lisboa, que pretendem “proporcionar momentos de brincadeira entre pais e filhos” e “estimular a criatividade, os sentidos, a imaginação e a curiosidade que os próprios bebés têm naturalmente”, como explica Mafalda Napierala, educadora de infância e responsável por estes workshops.
Desde que nascem, os bebés “já têm os sentido muito apurados” e “adoram explorá-los”, garante. É, por isso, normal que não queiram passar o dia sentados na espreguiçadeira a olhar para o mesmo sítio. Eles querem ver, tocar, cheirar, saborear, ouvir. Muitas vezes, os pais pensam que os seus filhos são muito pequenos para se interessarem por uma brincadeira ou para terem conversas do dia-a-dia com eles. Nada mais errado. Os bebés estão ansiosos por descobrir o mundo, como se pode ver pelo entusiasmo com que Laura, Ugo e Vicente querem mexer em tudo o que lhes é mostrado por Mafalda Napierala. 

“A brincadeira é o canal de excelência para aceder ao mundo interior do bebé”, diz Mariana Cordeiro Ferreira, psicóloga clínica e consultora do Centro do Bebé. E são os objetos mais simples que parecem chamar mais a atenção dos bebés. “Não precisamos de milhões de brinquedos para brincar com os nossos filhos, nem de brinquedos muito complicados. Só precisamos de ter tempo para eles, pois os pais são os pilares das crianças para descobrirem o mundo”, continua a psicóloga, falando da sua experiência: “Quando a minha filha fez um ano, dei-lhe de presente uma garrafa de água com três pedrinhas lá dentro. Ela adorou”. Outro exemplo do interesse dos bebés pela simplicidade é aquela situação caricata que todos os pais já passaram: o bebé recebe um grande presente ultrassofisticado, mas depois de o abrir prefere ficar a brincar com a caixa ou com o papel de embrulho.

Nos workshops “Brinca Bebé”, um dos “brinquedos” que provoca sempre primeiro curiosidade e depois euforia são os grãos de café. Mafalda Napierala começa por abanar lentamente uma tigela cheia de café, para que se solte o perfume pelo ar, ao mesmo tempo que se ouve o barulho dos grãos a baterem uns nos outros. Os bebés levantam logo as cabeças, com os olhos a brilhar. 

“É preciso ter cuidado para não porem os grãos na boca. É uma atividade que se deve fazer apenas com bebés mais velhos e sempre com atenção extra”, alerta Mafalda Napierala. Depois, é deixar os bebés enterrarem as mãos nos grãos, sentir a textura, cheirarem-nos, espalharem-nos. Eles adoram e, de uma forma simples, estão a explorar todos os sentidos: veem a cor castanha, sentem a textura granulada, ouvem o barulho que fazem quando lhe mexem, cheiram o aroma do café e se puserem as mãos na boca, depois de terem tocado nos grãos, conhecem um sabor novo (não se preocupe, que não é cafeína suficiente para ter algum efeito).

Também é possível fazer a mesma brincadeira com feijões secos, naturalmente que sempre com supervisão do adulto para que o bebé não leve os feijões à boca. O sucesso é igualmente garantido e o jogo pode ser repetido em casa: “Há mães que, depois de virem aos workshops, dizem-me que ofereceram sacos de café ou de feijão aos filhos e que eles adoraram”, conta a educadora de infância.

100% no aqui e agora

No final destes workshops, há sempre tempo para Mafalda Napierala conversar com os pais e dar ideias sobre como podem interagir com os seus bebés. Mas será que os pais precisam de aprender a brincar com os seus bebés? Não será uma capacidade inata? “Os pais sabem brincar com os seus bebés, mas essa sabedoria está tamponada com milhares de coisas. A sociedade mudou. Vivemos numa sociedade muito rápida, andamos sempre a correr, mas os bebés não mudaram, têm as mesmas necessidades, que são essencialmente ter um ambiente emocional validante”, afirma Mariana Cordeiro Ferreira, explicando: “Os bebés dão-nos muitas indicações do que precisam, mas, muitas vezes, estamos tão preocupados com tantos assuntos à nossa volta que nem reparamos, pois não estamos no aqui e agora”. 

O bebé não está preocupado com nada, “está 100 por cento no aqui e agora, 100 por cento disponível para os pais”. Se os pais virem isso, conseguem, de certeza brincar com o seu bebé e ajudá-lo a conhecer o mundo desde os primeiros meses. O segredo é apenas estar ali, presente, sem telemóveis, sem preocupações. “Quando estamos com o bebé temos de apagar tudo o que está à volta”, recomenda Mariana Cordeiro Ferreira. O resto – a brincadeira, as conversas, a exploração dos sentidos – acaba por acontecer naturalmente.
Mafalda Napierala lembra ainda que hoje em dia há um exagero de informação, de conselhos de comparações e de brinquedos para bebés. “Somos constantemente bombardeados com tantas teorias que ficamos baralhados. Muitos pais têm receio de não estar a estimular o bebé de forma suficiente ou sentem-se culpados por não conseguirem fazer muitos programas ao fim de semana.” Estes sentimentos, na opinião de Mafalda e de Mariana, não  fazem sentido: “Mais vale ficarem todos uma manhã na cama a mimarem-se, a brincar, a conversar, do que andarem em correrias para ir a algum sítio, mesmo que seja muito giro”, concordam as duas especialistas, reforçando a ideia de que é preciso “olhar para o bebé” e perceber o que ele precisa naquele momento.

Outra das atividades que os bebés adoram no “Brinca Bebé” é jogarem com as bolinhas coloridas. Esta é também uma brincadeira multifacetada, como exemplifica Mafalda Napierala: “Podemos passar as bolas suavemente pelo corpo todo, por sítios que muitas vezes são esquecidos, como a parte de dentro do braço ou da perna, ao mesmo tempo que identificamos cada parte do corpo e as cores das bolas. Desta forma estamos a estimular o tato e a dar noções sobre as cores e o corpo. Ao ver as bolas saltarem para cima e para baixo, os bebés estão também a aprender o que é subir e descer”. Ou seja, “cada objecto tem mil formas de ser explorado e, muitas vezes, são os bebés que acrescentam ainda novas formas de o utilizar”. Por isso, nenhuma brincadeira deve ser rígida, deve também dar-se oportunidade ao bebé de experimentar os brinquedos à sua maneira.

Os workshops são sempre diferentes, com diversos temas, mas todas as actividades podem depois ser repetidas em casa. O mais importante é que os pais descubram as imensas capacidades que os seus bebés já têm e as muitas formas de interagir com eles. Para isso, os pais têm de parar no tempo, olhar para os seus bebés e responder às suas necessidades. Ou, como gosta de resumir Mariana Cordeiro Ferreira: “Sejam os fãs nº1 dos vossos bebés!” 


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Fonte: paisefilhos.pt

Blue Eyes

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